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A Raposa Matreira

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Sugestões de Leitura: Colonialismo Português

Escrito em 06 de Jul. de 2020

Sugestões de Leitura: Colonialismo Português

Tal como prometido temos andado à procura de livros que nos informem mais sobre como foi o colonialismo português. A pesquisa ainda vai muito no início mas, tal como prometido partilhamos convosco dois livros que foram uma boa introdução sobre o assunto. Estas são algumas das perguntas que pretendemos responder: Existem bons colonizadores? Quais são as consequências do colonialismo tanto no país colonizado como no país colonizado? Quanto duram estas consequências? O que pode ser feito para minimizá-las?

 

O livros que nos serviram de base para o assunto foram Racismo em Português e Racismo no País dos Brandos Costumes, ambos de Joana Gorjão Henriques

Tal como todos nós aprendi que Portugal foi um bom colonizador, os maus são os outros, os espanhóis, os franceses, os belgas. Como a boa aluna de história que sempre fui decorei e reproduzi esta narrativa vezes e vezes conta. É muito confortável pensar que os outros é que foram cruéis, não os portugueses, que os portugueses até se misturaram com as populações que colonizaram, logo não podem ter sido assim tão maus. Tão confortável que nós, enquanto país, somos ainda incapazes de realmente discutir o assunto.

Em Racismo em Português Joana Gorjão Henriques apresenta-nos, através de entrevistas a diversas pessoas, diferentes perspectivas sobre as colónias portuguesas no continente Africano. O retrato que é traçado não é de um país que foi bom colonizador, algo que pessoalmente não acredito que exista, mas, de um país que maltratou os povos que colonizou, tal como os países que dizemos serem os maus colonizadores. Portugal, ao contrário de outros colonizadores, negou a educação aos povos que colonizou mantendo-os sempre em posição de subalternidade e sem qualquer opção de obter melhorias de vida. "Se é verdade que existiu interacção com os indígenas, e mestiçagem por causa disso, isso não significa que o regime tenha sido menos racista, defende Nelvina Barreto. Houve, sim, a predominância de um tom paternalista, considera, no sentido de que 'estes coitadinhos não sabem pensar, não têm educação, não têm nada'. Enquanto o colono francês e inglês tinha uma percepção diferente: 'Vamos dar condições, escolas e etc., mas eles que fiquem confinados, sem haver interacção.' Portugal tem uma visão superficial e fragmentada da sua história colonial, e é necessário perceber que teve políticas, intervenções e vivências diversas nas suas diversas colónias".

 Embaraça-me o quanto aprendi neste livro, embaraça-me saber tão pouco sobre o nosso passado, como Portugal tratou diferentemente os países que colonizou, a crueldade com que tratou os povos colonizados e por quanto quanto tempo após a abolição da escravatura continuou a abusar destes povos. Mas, mais que tudo embaraça-me que se continue a perpetuar o mito do "bom colonizador", que em todas as salas de aula deste país se continue a ensinar como se de um facto se tratasse. Faço portanto minhas as perguntas que Joana Gorjão Henriques coloca na introdução deste livro "[…] porque não nos é ensinado na escola que exitiu em Angola e em Moçambique um apartheid alimentado por Portugal? Porque insistimos num olhar benevolente sobre um Portugal que não hesitou em promover o trabalho escravo até 1974? Vamos perpetuar a narrativa de um colonizador que não discrimina porque se miscigenou com as populações locais, quando sabemos que as obrigava a despirem-se da sua identidade africana, a mudar de nome, a alisar o cabelo ou a obliterar a sua língua? Até quando iremos contribuir para uma mentalidade acrítica sobre um dos fenómenos mais violentos da nossa história? Finalmente: o que revela esta perspectiva de brandura de olhar sobre nós próprios, portugueses?"

É Portugal um país racista? Em Racismo no País dos Brandos Costumes dá-nos algumas respostas a esta pergunta. Quando confrontados com esta pergunta a maioria dos portugueses utiliza a mesma lógica utilizada para relativizar o colonialismo, racismo não existe em Portugal, porque noutros países é pior. Ser melhor que alguns não chega e infelizmente temos ainda temos um longo caminho a percorrer. A injustiça inicia-se com a Lei da Nacionalidade Portuguesa, que apenas permite que se obtenha nacionalidade portuguesa caso os pais ou avós sejam de nacionalidade de Portuguesa. No entanto, se se nascer em Portugal com pais de nacionalidade estrangeira não se tem direito a nacionalidade portuguesa. A impossibilidade de obter a nacionalidade após o nascimento traz problemas óbvios, dificuldade ao acesso à educação, dificuldade em arranjar um emprego legal, ou até coisas mais simples, como a impossibilidade de tirar a carta de condução.

 

Durante o segundo e terceiro ciclo frequentei uma escola que se situava ao lado de um bairro social, no quinto ano mais de metade da turma era composta por minorias. No nono ano não restava uma dessas pessoas. Há diversos factores que levaram a este resultado, mas o facto é que a posição dos professores em relação a estes alunos foi mais um factor que levou a que muitos destes alunos não terminassem a escolaridade obrigatória, mas talvez isto seja assunto para outro dia. Para perceber se Portugal é ou não racista entrevista diversas pessoas, focando-se nos seguintes tópicos: Justiça, nacionalidade, habitação, educação, activismo e colonialismo.

 

Espero que estes livros, caso os decidam ler, sejam tão úteis para vocês como foram para mim.

Fontes / Links Úteis

 

Lei da Nacionalidade http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=614&tabela=leis

 

Collective memories of Portuguese colonial action in Africa: representations of the colonial past among Mozambicans and Portuguese Youths

http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/11738

 

Creating Colonial Portugal in Africa

https://africasacountry.com/2020/05/creating-colonial-portugal-in-africa


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